"E a bailarina que não queria
mais saber de dançar, trocou tudo que tinha para tentar amar alguém cheio de
defeitos, cheio de vírgulas, poréns, alguém que nunca terminava o que começava,
alguém que não gostava de pontos finais. - Confesso que particularmente também
não gosto, mas quando isso permite que uma história se emende na outra, se
misture na outra, é hora de começar a achá-los mais atrativos. A menina que não
usava mais suas sapatilhas, dizia sempre a si mesma: “Todos merecem ser amados,
independente de quantos defeitos possuam, e principalmente se não souberem
amar”. De fato, ela tinha razão, mas ninguém quer entregar o coração à alguém
que não saberá o que fazer, alguém que terá medo e não saberá amar-te de igual
para igual… Então concluo que não seria justo. Ah menina, o mundo nunca será
justo. Quem parte quer ficar, quem fica quer partir, quem já partiu não quer
voltar e quem volta não quer sair. Ela se levantava, direcionava o olhar para
as sapatilhas esquecidas num canto do quarto, abaixava a cabeça, e em um
instante se recompunha… Antes mesmo de cair já estava novamente de pé. Abriu a
janela, estava de fato um dia belíssimo, colocou sua melhor roupa, tratou de
fazer-te inteira para se dar a alguém que não podia ser nem mesmo complemento.
E foi, com a cara e a coragem, foi. Ela não sabia que era especial, mas sabia
que podia conseguir o que queria, e que teria de passar por muitas complicações
para atingir seu mais alto objetivo. Não sairia ilesa da situação, e não se
preocupava com isto. Só queria mesmo poder dizer: “Eu o fiz assim”. [Paola
Duarte!]

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